Feira de Gargaú 1939

Foto do livro do escritor José Estevão


TEXTO DO LIVRO SERTANEJAS DO ESCRITOR JOSÉ ESTEVÃO

XXVII

Fui neste verão rever a feira de Gargaú.
Tudo tão diferente.

Não encontrei os célebres carros de bois, a tocar a sinfonia inacabada, através a noite sertaneja. Eram dezenas de carros carregados de farinha, milho, feijão e os demais produtos do Sertão.

Na distância de muitos quilômetros já eram ouvidos os sons emitidos pelo eixo de óleo vermelho, em atrito com a cantadeira. Cada um tinha o som característico de acordo com o peso, a velocidade, e a qualidade da madeira usada na sua confecção.

Não vi mais a grande variedade do nosso artesanato.

Lá se encontrava de tudo: cestas, balaios, jacás, juquiás, tipitys, tamandarés, e tantas outras novidades habilmente trabalhadas no cipóúna, cipó imbé, na taquara, e no ubá. Cordas, cabrestos, rédeas e cabeçadas trançadas no couro cru.

E os trabalhos na madeira? Gamelas de todos os tipos, tamanhos e feitios, colheres de pau, pás para torrar farinha, cangalhas e uma infinidade de variedades.

Tudo isto vai saindo aos poucos de circulação, deixando um vazio na feira e uma recordação aos saudosistas.

E você Gargaú, de onde veio seu nome?

Para muitos você veio dos índios, para outros de um canoeiro que fazia a travessia para São João da Barra e se chamava Gaú. Mas não demorou muito essa dúvida, veio o velho Aurélio Buarque de Holanda, e nos esclareceu: Gargaú é um peixe do mar,

o mesmo que Garaximbola.

Ao sair dêste hospitaleiro lugar, e me despedir
de inúmeros amigos, rabisquei esta quadrinha.

Gargaú da feira livre
Dos produtos no varejo
Gargaú peixe do mar
E terra do caranguejo.



IA

Foto do livro do escritor Lamego



“Gostou das pesquisas? 
Colabore com uma doação em qualquer valor e ajude o site www.museuonlinesfi.com a continuar com seus trabalhos de pesquisa.” Desde já agradecemos. 


Conta -Uellington soares

 

0 Comentários