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| Foto do livro do escritor José Estevão |
TEXTO DO LIVRO SERTANEJAS DO ESCRITOR JOSÉ ESTEVÃO
XXVII
Fui neste verão rever a feira de Gargaú.
Tudo tão diferente.
Não encontrei os célebres carros de bois, a tocar a sinfonia inacabada, através a noite sertaneja. Eram dezenas de carros carregados de farinha, milho, feijão e os demais produtos do Sertão.
Na distância de muitos quilômetros já eram ouvidos os sons emitidos pelo eixo de óleo vermelho, em atrito com a cantadeira. Cada um tinha o som característico de acordo com o peso, a velocidade, e a qualidade da madeira usada na sua confecção.
Não vi mais a grande variedade do nosso artesanato.
Lá se encontrava de tudo: cestas, balaios, jacás, juquiás, tipitys, tamandarés, e tantas outras novidades habilmente trabalhadas no cipóúna, cipó imbé, na taquara, e no ubá. Cordas, cabrestos, rédeas e cabeçadas trançadas no couro cru.
E os trabalhos na madeira? Gamelas de todos os tipos, tamanhos e feitios, colheres de pau, pás para torrar farinha, cangalhas e uma infinidade de variedades.
Tudo isto vai saindo aos poucos de circulação, deixando um vazio na feira e uma recordação aos saudosistas.
E você Gargaú, de onde veio seu nome?
Para muitos você veio dos índios, para outros de um canoeiro que fazia a travessia para São João da Barra e se chamava Gaú. Mas não demorou muito essa dúvida, veio o velho Aurélio Buarque de Holanda, e nos esclareceu: Gargaú é um peixe do mar,
o mesmo que Garaximbola.
Ao sair dêste hospitaleiro lugar, e me despedir
de inúmeros amigos, rabisquei esta quadrinha.
Gargaú da feira livre
Dos produtos no varejo
Gargaú peixe do mar
E terra do caranguejo.




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